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Resíduo que vira recurso e impulsiona a economia circular

Na rotina do Porto Sudeste, materiais reaproveitados ganham novas funções pelas mãos de equipes que reinventam a operação

 

O caminho de um resíduo raramente termina em descarte no Porto Sudeste. Entre correias transportadoras, chapas metálicas, óleos e materiais do dia a dia da operação, o que sobra de uma atividade frequentemente se transforma em insumo para outra. Resíduos de borracha seguem para reciclagem, sucatas metálicas retornam ao ciclo produtivo e óleos usados passam por processos de rerrefino, voltando à cadeia como novos produtos. Até itens menos óbvios, como resíduos orgânicos do refeitório e uniformes aposentados, encontram destino em compostagem e iniciativas externas, respectivamente, conectando o terminal a outras frentes da economia circular.

Essa lógica acompanha um movimento mais amplo. O Porto passou a integrar o Movimento Conexão Circular, iniciativa da Ambição 2030 do Pacto Global que reúne empresas comprometidas com práticas mais sustentáveis. Desde a implantação, a empresa realiza a gestão dos resíduos gerados no terminal. A partir da educação ambiental e conscientização dos profissionais, a correta segregação na fonte vem maximizando processos de reutilização e reciclagem. Ano passado, por exemplo, 96% dos resíduos foram reaproveitados e, em 2026, por ora, a média já se mantém em 85,4%.

Técnico de Mecânica e formado em Gestão Ambiental, Diogo Gomes da Silva trabalha há 12 anos no Porto Sudeste, onde é conhecido por enxergar novas possibilidades onde muitos veriam descarte. “Reaproveito tudo que acho que é útil no meu processo”, explica, ao descrever como peças que saem de um equipamento podem ganhar nova função em outro, acompanhando o ritmo das demandas da operação.

Foi com essa lógica que surgiu uma de suas soluções mais criativas: um sistema de umectação de minério no virador de vagões, desenvolvido a partir de tubos que sobraram de outra obra. A solução que faz parte dos controles ambientais do terminal para combater a suspensão de particulado.

“O diferencial é que a nossa ideia utiliza apenas a gravidade por conta dos 95 metros de altura do nosso reservatório de água, não precisando de bombas ou excesso de mão de obra”, conta. A iniciativa foi reconhecida internamente, conquistando o 1º lugar em um programa de melhoria contínua da companhia. O sistema é integrado a um ciclo sustentável de uso da água, que é “recolhida por canaletas de água da chuva e enviada para nossos reservatórios e utilizada em nossos processos de mitigação”, explica Diogo.

Para ele, o que move esse tipo de iniciativa é a vontade de evitar desperdício. Um princípio que, no dia a dia, se desdobra em ganhos práticos. “Eu enxergo como uma redução de custo, conscientização de consumo com os materiais e otimização de tempo”, afirma. E esse comportamento também se espalha pela equipe. “Quem trabalha comigo tem olhar mais crítico com todo descarte de material ao fim das atividades”, diz, reforçando como a mudança de mentalidade abre espaço também para novas possibilidades.

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