Escritoras locais destacam o papel da literatura na educação e na formação do pensamento crítico
Em um cotidiano marcado por telas e respostas rápidas, a leitura exige tempo, atenção e envolvimento. É nesse processo que se desenvolvem habilidades como interpretação, imaginação e elaboração de pensamento. A leitura sustenta a construção de repertório e contribui diretamente para o desenvolvimento cognitivo e emocional.
Em Itaguaí, talento para a escrita e para a leitura não é exceção, é presença constante. Escritoras locais atuam de forma significativa na produção literária e no estímulo ao aprendizado, utilizando a palavra como instrumento de formação educacional, preservação da memória e fortalecimento do pensamento crítico.
Professora, escritora e ilustradora de Itaguaí, Regina Esteves é um exemplo dessa atuação. Em seus projetos, a leitura se articula à valorização da história e das identidades do território. “Se você não conhece a sua história, você não consegue compreender a história do mundo”, afirma.
A relação de Regina com a leitura começou ainda na infância, de forma espontânea e afetiva. Ela aprendeu a ler aos quatro anos com livros literários, em casa, guiada pela curiosidade e pelo incentivo da família. Histórias curtas, ilustradas e com poucos versos despertaram não apenas o interesse pelas palavras, mas também pela criação. Anos depois, o teatro ampliou esse vínculo. O contato com os textos das peças e a experiência de estar em cena despertaram o desejo de escrever as próprias histórias.
Esse percurso criativo é atravessado pelo território de Itaguaí. Regina é autora de obras que retratam a cidade a partir de memórias, imagens e referências culturais locais – em um projeto chamado ‘Itaguaí um Pedacinho de Você’, com dois livros. O primeiro é ‘Passeio na Cidade’, e o segundo é ‘Nunca Esqueçam de Nós’, uma história indígena, já que Itaguaí é também uma terra indígena.
Para ela, a leitura permanece essencial na formação individual. “A leitura faz com que a gente aprimore o senso crítico, e nenhuma inteligência artificial ou ferramenta pode substituir o pensamento humano. Ler sempre foi um ato de resistência, o que muda são os obstáculos ao longo do tempo”, conclui.
Casa Porto e o incentivo à leitura
E para fortalecer o vínculo da cidade, escritores e o território, as obras de Regina e outras autoras e autores da região estão disponíveis na Sala de Leitura da Casa Porto. O espaço foi criado para estimular o contato com os livros desde os primeiros anos de vida e fortalecer a relação com a leitura de forma contínua.
Regina acredita que iniciativas como a Sala de Leitura da Casa Porto ampliam o acesso e fortalecem a formação de leitores. “É a democratização da leitura. É o acesso para todos, do campo à cidade. A iniciativa do ‘Mar de Histórias’ da Casa Porto é exatamente isso. É trazer a literatura numa linguagem que atenda a comunidade. Quando a leitura chega às pessoas considerando as particularidades de cada local, ela se torna mais próxima e mais presente na vida delas”, afirma.
A Casa Porto integra as ações do Porto Sudeste voltadas à cultura, educação e cidadania. Localizado na Rua João Cruz Neto, nº 5, o espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.