Personalização de flange reduz risco e otimiza o manuseio de mangotes durante a fase de drenagem
A operação Double Banking consiste na transferência de óleo cru e derivados entre navios atracados lado a lado. É uma alternativa logística que amplia a eficiência no transporte do petróleo produzido em campos offshore. No Porto Sudeste, além das condições operacionais favoráveis, a busca contínua por melhorias levou ao desenvolvimento de uma solução simples, com impacto direto na segurança ambiental em uma das etapas mais sensíveis do processo: a drenagem dos mangotes.
Ao final de cada operação, quando praticamente todo o produto já foi transferido de uma embarcação para a outra, ainda permanece resíduo nos mangotes, cerca de 2m3 em cada um, o equivalente a duas caixas d’água residenciais de mil litros. Por isso, é necessária fazer a drenagem, uma etapa que exige atenção redobrada, uma vez que envolve a desconexão de equipamentos que ainda contêm óleo.
O procedimento é relativamente simples. Após a desconexão, os mangotes são içados pelo guindaste do navio e posicionados na vertical para que a gravidade conduza o produto remanescente a um tanque específico, destinado a esse fim. No entanto, em cenários de falha de manobra ou conexão inadequada, existia o risco de exposição e espalhamento do produto no convés da embarcação.
“Tradicionalmente, para viabilizar a drenagem, o mangote precisa permanecer aberto. Se for totalmente vedado, o ar não entra e o produto não desce. A drenagem é um momento sensível do processo. Apesar de restar pouco produto, ainda estamos lidando com óleo, o que representa um risco, mesmo com baixíssima probabilidade de atingir o mar”, explica Victor Pessoa, gerente de Operações de Granéis Líquidos.
A partir dessa análise, o time desenvolveu uma solução simples, mas com impacto direto na mitigação do risco. Eles personalizaram o flange utilizado no engate do mangote durante a drenagem.
“Fizemos uma abertura em um flange cego comum e inserimos duas válvulas, uma de esfera com manopla, que permite a entrada de ar, e outra de retenção, que impede o transbordamento de óleo caso haja uma contrapressão do tanque que está recebendo esse produto residual no mangote. Na prática, a adaptação mantém a funcionalidade do processo e reduz a quase zero a possibilidade de um derramamento de óleo no convés”, acrescenta.
A melhoria trouxe ganhos relevantes em segurança ambiental e também benefícios operacionais no manuseio dos mangotes. O tempo de drenagem permanece inalterado, variando entre 15 e 30 minutos, a depender do produto. No entanto, a personalização reduziu etapas de movimentação e manobras, tornando o procedimento mais simples, eficiente e seguro para as equipes envolvidas.
Segurança ambiental se constrói no detalhe, com decisões técnicas responsáveis e compromisso contínuo com o interesse coletivo. Agir antes que o risco se transforme em impacto faz toda a diferença. Ao reduzir quase a zero a possibilidade de um vazamento durante uma etapa sensível da operação, o Porto Sudeste contribui para a proteção do ambiente marinho, da economia costeira e das comunidades que dependem desses ecossistemas.
Com o avanço da produção nacional de petróleo, a tendência é de crescimento gradual das operações de Double Banking no Brasil, o que aumenta a demanda por infraestrutura portuária capaz de suportar esse tipo de atividade com eficiência, confiabilidade e, principalmente, segurança ambiental.