Tecnologia, dados e ciência orientam ações para garantir um ar mais seguro dentro e fora dos terminais portuários
Ao longo de um único dia, um adulto respira em média entre 10 e 12 mil litros de ar, um valor muito maior do que a quantidade de água e alimentos consumidos no mesmo período. Isso significa que a qualidade do ar que nos cerca influência diretamente nossa saúde, disposição e capacidade de viver e trabalhar bem. Em ambientes industriais e portuários, onde há intensa movimentação de cargas, veículos e equipamentos, garantir um ar limpo exige tecnologia, rotina de controle e compromisso contínuo com dados e transparência.
No Porto Sudeste, em Itaguaí, o cuidado com o ar é parte estruturante da operação. O terminal mantém uma rede própria de monitoramento da qualidade do ar que funciona de maneira permanente. Ela opera de maneira semelhante ao próprio processo de respiração humana. O equipamento “puxa” o ar do ambiente, filtra partículas e permite análises precisas sobre o que está circulando naquele espaço.
Ao todo são cinco estações de monitoramento do ar (três automáticas e duas semiautomáticas), e duas estações meteorológicas, posicionadas em locais estratégicos, determinados pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente), ao redor do terminal e área de influência.
As estações de qualidade do ar monitoram diversos tipos de poluentes e fazem a amostragem do material presente no ar. As semiautomáticas contam com um motor elétrico que succiona o ar ambiente, fazendo-o passar por um filtro que, periodicamente, é enviado a laboratórios especializados uma vez por mês. O material coletado é analisado para identificar e quantificar metais e outros particulados presentes na atmosfera. Os dados são compilados e compartilhados com o INEA. Já as automáticas fazem as medições em tempo real, e os resultados chegam automaticamente ao órgão ambiental.
Com a integração dos dados já levantados às medições em tempo real das estações meteorológicas instaladas no terminal (registro de chuva, umidade, temperatura e ventos), a equipe consegue decidir com mais precisão quando e onde intensificar os controles ambientais. Isso permite direcionar ações como a umectação de vias e de pilhas de minério e carvão, além de monitorar e comprovar a efetividade das medidas adotadas.
“Todos os pontos de monitoramento do ar e do clima foram exatamente estrategicamente distribuídos para cobrir locais onde há mais circulação de pessoas próximas ao Porto Sudeste. Quando tecnologia, dados, ciência e conhecimento humano trabalham juntos, a resposta fica mais rápida e mais precisa. Além de permitir ajustes rápidos nas operações, o monitoramento traz transparência e comprova a efetividade das medidas, reforçando a proteção de quem trabalha no terminal e de quem vive ou passa pela região”, explica Bernardo Castello, gerente de Meio Ambiente.
Cuidado que também é compromisso social
Para além dos números e equipamentos, o monitoramento do ar tem um significado humano importante especialmente para quem vive em Itaguaí. Ele incorpora uma lógica preventiva de possíveis impactos na região da Baía de Sepetiba.
Morador de Itaguaí, Rafael Rumão é o responsável por operar as estações e validar os dados gerados continuamente pelos analisadores e sensores instalados em campo. No dia a dia, ele acompanha o funcionamento dos equipamentos, checa parâmetros operacionais, realiza verificações de consistência e garante que as medições sejam registradas e reportadas com rastreabilidade e confiabilidade, a partir das leituras em tempo real e dos registros do sistema de aquisição de dados.
“Eu, como morador de Itaguaí, participar desse monitoramento me deixa orgulhoso, porque vejo de perto o cuidado e a seriedade por trás de cada número. Não é só apertar botão. É seguir procedimento, conferir qualidade. Esse monitoramento é fundamental para nossa saúde e tem um valor humano enorme”, finaliza Rumão, analista ambiental da Econservation, empresa responsável pela operação das estações de monitoramento de qualidade do ar do Porto Sudeste.