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“Nunca permita que alguém defina os seus limites com base no seu gênero”, diz comandante de navio aos 34 anos

Grega Ioanna Spanaki assumiu o comando do MV Florida em julho e fez sua primeira viagem como comandante após mais de uma década de carreira no mar

 

Aos 34 anos, a grega Ioanna Spanaki acaba de alcançar uma posição que representa o resultado de mais de uma década de trabalho no mar. Em julho deste ano, depois de iniciar sua carreira como cadete em 2012, ela foi promovida a comandante.

Sua primeira viagem no comando do MV Florida incluiu uma escala no Porto Sudeste, em Itaguaí, onde o navio passou por uma operação de carregamento de minério de ferro. Durante a estadia no terminal, Ioanna também se surpreendeu com a presença feminina no ambiente portuário. “Até o momento, esta foi a primeira vez que estive em um terminal que demonstrou tamanho interesse pela presença das mulheres no setor marítimo”, conta a comandante, que também parabenizou a empresa pelos esforços em promover diversidade e igualdade de oportunidades.

Natural da ilha de Creta, a comandante se formou em uma Academia da Marinha Mercante localizada na região. Sua família não tinha tradição no setor, mas o desafio da profissão despertou seu interesse. Ela conta que seu primeiro objetivo era se tornar Imediata, ou Chief Officer, função que alcançou em 2019, aos 27 anos. Foi nesse momento que percebeu que poderia avançar ainda mais na carreira e decidiu buscar o posto de comando de um navio.

“Assumir o comando de um navio é uma mistura de orgulho e responsabilidade. Pensei na enorme responsabilidade que passaria a ter para garantir a segurança da minha tripulação, do navio e de sua carga. Ao mesmo tempo, eu me sentia completamente preparada, sabendo que minha formação e meus anos de experiência no mar haviam me preparado exatamente para aquela função.”

A trajetória também foi marcada pelos desafios de atuar em um ambiente predominantemente masculino. De acordo com ela, lidar desde cedo com situações de alta pressão contribuiu para desenvolver sua capacidade de tomar decisões e exercer a liderança. Ela reconhece que, como mulher, precisou enfrentar situações em que o tratamento recebido nem sempre foi igual, mas afirma que essas experiências fortaleceram sua determinação.

Para Ioanna, ampliar a presença feminina no setor marítimo depende de programas de mentoria mais fortes, igualdade de oportunidades e uma mudança cultural contínua. Para as profissionais que pretendem seguir carreira no mar, a mensagem é direta: “Nunca permita que alguém defina os seus limites com base no seu gênero. Mantenha o foco nos seus objetivos, nunca pare de aprender e desenvolva sua resiliência.”

A passagem pelo terminal também proporcionou um encontro especial com Renata Santos, operadora de LPS do Porto Sudeste. Para Renata, receber uma mulher no comando do navio tornou a visita especialmente significativa. “Tivemos uma experiência muito agradável a bordo, com uma recepção super atenciosa e acolhedora por parte da comandante. Ficamos muito felizes em receber uma mulher no comando do navio em nosso terminal. Foi uma visita muito especial para nós, mulheres. Reforça que ‘o lugar da mulher é onde ela quiser’.”

O encontro entre as duas mulheres traduz justamente essa mudança no setor marítimo, que por muito tempo foi predominantemente masculino. A trajetória de Ioanna e de tantas outras mulheres serve de inspiração e mostra que ocupar esses espaços pode abrir novos caminhos dentro de uma indústria que ainda tem muito a avançar em diversidade e igualdade de oportunidades.

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