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Convite para correr dá origem a grupo e inspira superação

Grupo formado por colegas do Porto Sudeste aproxima profissionais de diferentes turnos e incentiva novos desafios pessoais

 

Quando faltava apenas um quilômetro para concluir sua primeira corrida de 10km, Renan Castilho lembrou que, dez anos antes, precisava de uma cadeira de rodas e de ajuda para realizar tarefas básicas. Ao lado do colega Edmilson, que o acompanhou durante o percurso, ele seguiu até a linha de chegada.

“Naquele momento, compartilhei com ele a dimensão do que estava vivendo. Olhei para trás e pensei em tudo o que enfrentei para chegar até ali”, conta Renan, assistente administrativo do setor de Diretrizes Básicas Operacionais do Porto Sudeste.

Pessoa com deficiência (PCD) com limitação oculta, Renan carrega um histórico de severos desafios de saúde. Após complicações decorrentes de uma lesão na coluna mal diagnosticada durante a infância, que resultou na implantação de próteses, parafusos e placas, somados a sequelas como parestesia e perda temporária de mobilidade, ele enfrentou um longo processo de reabilitação. Apesar das dificuldades e restrições médicas iniciais para atividades de alto impacto, Renan encontrou no suporte dos colegas e no desafio da corrida de 10km uma oportunidade de redefinir seus próprios limites.

“Aos 19 anos, passei por uma cirurgia severa na coluna após perder os movimentos das pernas e do sistema urinário. Minha coluna estalou quando me levantei do sofá e caí no chão sem sentir nada. O procedimento tinha 70% de chance de dar errado, mas encarei o processo. Fiquei internado, dependendo da minha mãe para tomar banho no leito e me alimentar, e passei a andar de cadeira de rodas. Fiz quase um ano de tratamento intensivo diário, combinando fisioterapia, pilates, hidroterapia, natação e RPG para conseguir reaprender a andar. O médico avisou que eu ficaria com sequelas definitivas”, lembra.

Ele conta que, com a pandemia, ganhou muito peso devido ao estresse e ansiedade que o isolamento gerava. “Eu estava com 122 kg. O médico me deu um ultimato: ou eu emagrecia ou teria que operar até o pescoço. Decidi mudar meu estilo de vida, fiz reeducação alimentar e eliminei uns 37 kg por conta própria”.

A partir dali, Renan passou a se dedicar à musculação e aos treinos com peso. Quando sua equipe começou a se organizar para participar de uma corrida de rua, ele se sentiu motivado. Inicialmente, pretendia fazer o percurso de 5km, mas, incentivado por um colega, inscreveu-se na prova de 10km.

“Completei o percurso bem, contando com o apoio do meu colega de trabalho e mentor, Edmilson. Faltando apenas 1 km para a linha de chegada, me emocionei. Lembrei que, dez anos antes, eu estava em uma cadeira de rodas e precisava de auxílio para tarefas básicas. Sei que existem muitos caminhos para desistir, mas busco diariamente o que me coloca em movimento”, relata com emoção.

O desafio que levou Renan à prova surgiu a partir de um movimento entre colegas do Porto Sudeste. Profissionais de diferentes áreas e turnos se organizaram para correr juntos, dando origem à “Panela PSB”, nome escolhido pelo próprio grupo. A criação espontânea do grupo também reflete o incentivo do Porto Sudeste à adoção de hábitos mais saudáveis e à prática de atividades físicas. Mais do que combinar os treinos, os participantes passaram a compartilhar caronas, organizar a retirada dos kits e apoiar uns aos outros durante a preparação.

“A corrida me provou que a adaptação e a determinação podem transformar qualquer limitação em motivação diária”, reflete Renan.

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