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 O mar que transforma: a economia azul e o desenvolvimento de Itaguaí

A vocação portuária do município gera empregos, fortalece a economia local e cria oportunidades para quem vive na região

 

Quando se fala em economia azul, o mar deixa de ser apenas uma rota de navegação para assumir um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social. No Rio de Janeiro, essa realidade ganha forma na Baía de Sepetiba, uma das regiões mais importantes para a logística e o comércio exterior do país. É nesse cenário que Itaguaí se destaca, consolidando-se como um polo portuário que movimenta cargas e amplia oportunidades para sua população.

Com localização estratégica, conectada às principais rodovias e à malha ferroviária nacional, o município ganhou relevância na economia brasileira. A atividade portuária impulsiona investimentos, fortalece o comércio local, gera arrecadação e contribui para empregos e renda.

Um dos exemplos desse impacto é o Porto Sudeste, terminal privado responsável pela movimentação de minério de ferro e petróleo, commodities fundamentais para diversos setores da economia. O empreendimento gera mais de 1.700 empregos diretos e indiretos, sendo cerca de 70% ocupados por moradores da região. Em 2025, mais de R$ 100 milhões foram arrecadados para o município por meio de ISS e IPTU.

“Mais do que números, nossos resultados refletem um modelo de operação que combina eficiência, responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento do território onde estamos. Quando um porto cresce, cresce também a demanda por serviços, fornecedores, qualificação profissional e oportunidades para a população local”, afirma Ulisses Oliveira, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Porto Sudeste.

A vocação portuária de Itaguaí também se revela nas trajetórias de moradores que encontraram no setor espaço para construir carreira. É o caso de Flávia Silveira, que escolheu cursar Engenharia de Produção inspirada pelo potencial de desenvolvimento da região.

“Minha irmã trabalhava em um porto na cidade, e foi por meio dessa vivência que comecei a me enxergar nesse universo. Assim que o Porto Sudeste iniciou as contratações, me candidatei a uma vaga e fui contratada. Na época, deixei o cargo de analista para recomeçar minha trajetória como técnica, porque enxergava ali uma grande possibilidade de crescimento e porque era isso que eu realmente queria. Dei um passo atrás naquele momento, porque sabia que valeria a pena. Ao longo dos anos, fui evoluindo e ampliando meus conhecimentos sobre as diferentes áreas que compõem um terminal portuário”, comentou Flávia, hoje engenheira de processos.

Na avaliação de Sônia Regina, diretora da Escola Municipal Elmira Figueira, o fortalecimento da economia local gera impactos que vão além do emprego. “Quando os jovens percebem que existem oportunidades reais de crescimento profissional no município, eles se sentem mais motivados a estudar e a planejar o futuro. Isso fortalece a educação, contribui para a permanência dos talentos e gera impactos positivos para toda a comunidade”, ressalta.

Essa transformação também é percebida por lideranças comunitárias. Para Washington Tadeu, CEO e fundador da Associação O Aprisco, o desenvolvimento econômico ganha ainda mais relevância quando se converte em inclusão e qualificação. “Quando o desenvolvimento econômico caminha junto com investimentos em educação, qualificação profissional, cultura e inclusão social, toda a comunidade avança. O crescimento da região abre portas para que crianças e jovens possam sonhar mais alto”, afirma.

Em um momento em que o país debate o potencial da economia azul como vetor de desenvolvimento, Itaguaí mostra que o valor do mar não está apenas na riqueza que passa pelos portos, mas também nas oportunidades que permanecem em terra firme, transformando a vida de quem vive e constrói o futuro da região.

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