Jovens mostram que quem está começando também pode inovar e transformar a rotina de uma empresa.
Quando alguma coisa dá errado no ambiente de trabalho, sempre surge o famoso “foi o estagiário”. Repetida quase automaticamente, a frase ajudou a criar uma visão limitada sobre os jovens em início de carreira. Em Itaguaí, uma dupla de estagiários ajuda a desconstruir esse estereótipo. Em Itaguaí, uma dupla de estagiários ajuda a desconstruir esse estereótipo e mostra que, mesmo no início da carreira, é possível propor soluções que podem fazer a diferença no dia a dia da empresa.
Leonardo Oliveira e Matheus Vasconcelos integram a equipe de Melhoria Contínua e Inovação do Porto Sudeste e trabalharam na criação de uma solução para um desafio real da rotina: avaliar um grande volume de ideias inscritas no Programa Ideias Geniais, iniciativa interna voltada ao estímulo da inovação e da eficiência operacional.
No programa, as melhorias propostas pelos profissionais da empresa no seu dia a dia são chamadas de Kaizens (conceito de origem japonesa para “mudança para melhor”). Com milhares de cadastros submetidos anualmente, a missão de analisar, categorizar e validar se as ideias cumprem a metodologia correta fica a cargo dos chamados “embaixadores”, pontos focais espalhados pelas diversas gerências. Contudo, conciliando essa função às suas demandas operacionais, os líderes lidavam com um alto volume de propostas.
Foi nesse cenário que nasceu o Timoneiro. O nome faz alusão ao profissional encarregado de guiar o timão de uma embarcação, simbolizando a proposta do agente de direcionar e apoiar a tomada de decisão dos embaixadores para o melhor caminho metodológico, sem substituir o julgamento humano.
Implementado em julho deste ano, o agente de IA analisa os cadastros em tempo real a partir de uma base de conhecimento munida com as diretrizes e regras da empresa. Em poucos segundos, o Timoneiro faz uma pré-avaliação do projeto e entrega um parecer detalhado ao embaixador responsável, informando se a proposta atende aos critérios de um Kaizen real, sugerindo o enquadramento no pilar correto da companhia (como Segurança, Meio Ambiente, Produtividade ou Governança) e oferecendo recomendações práticas para enriquecer a ideia.
“Na prática, o Timoneiro analisa o formulário preenchido pelo profissional e gera diagnósticos precisos. Ele aponta se a ideia gera um impacto real e mensurável no processo, sugere o pilar correto e até indica pontos de melhoria para deixar o projeto mais completo. É uma ferramenta que traz um suporte valioso para o embaixador tomar a melhor decisão”, explica Matheus, de 20 anos, que entrou na empresa em maio.
Morador de Itaguaí, Leonardo Oliveira, de 24 anos e três meses de empresa, complementa que o Timoneiro não aprova e nem reprova projetos. “Essa decisão continua sendo 100% humana e do embaixador. O papel dele é ser um facilitador da nossa rotina, garantindo que a metodologia Kaizen seja respeitada e entregando sugestões para que a ideia se torne ainda mais rica”, ressalta.
Desde a sua implantação em julho, o Timoneiro já processou mais de 440 registros (com 338 Kaizens validados e 105 direcionados para ajustes). O resultado é um ganho expressivo de velocidade no retorno aos responsáveis pelas ideias e a garantia de que as propostas cheguem prontas e bem estruturadas para concorrer na premiação anual do programa. “Para nós, estagiários, ver uma solução criada do zero trazendo um impacto direto para o terminal é extremamente gratificante”, conta Leonardo.